sábado, 11 de fevereiro de 2012

“ASSIM COMO DEUS QUER!”

A saúde da minha mãe me preocupava muito.  Qualquer que fosse o sinal, por menor que fosse, eu já estava alerta.  Comecei a observar que sua saúde não estava bem.  Então ajudada por um amigo que morava perto era auxiliar de enfermagem, e sempre que podia vinha dar assistência a mamãe, nos socorrendo quando precisávamos, trouxe um medico para vê-la, o Dr Bruno D. Ramussen Chaves.  Arrumei-a e a deixei deitadinha na cama e quando o médico chegou a cumprimentou dizendo:

─ Boa Tarde dona Elza, então como vai a senhora? E ela respondeu;
─ Assim como Deus quer Doutor, assim como Deus quer.
Como é gostoso quando confiamos em Deus!  Como é gostoso sentir a mão de Deus  nos orientando, nos protegendo, nos amparando, nos fortalecendo, ...  Sim! Deus é maravilhoso! Como é gostoso saber que somos amados por Deus ao ponto de nos dar o Seu filho Único, o Senhor Jesus,  para nos salvar.  “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que Nele crer não pereça mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)
Quando nós podemos dizer como disse a minha mãezinha: “Assim como Deus quer”, as nossas lutas tornam-se mais leves e então poderemos vencer porque confiamos no “Autor e consumador da fé”.  Confiar sem duvidar é o que Deus quer de nós.  “Muitas são as dores do ímpio, mas o constante amor do Senhor cercará aquele que Nele confia” (Salmo 32:10) “Confiai no Senhor perpetuamente, pois o Senhor Deus é uma rocha eterna.” (Isaias 26:4) “Então você saberá que eu sou o SENHOR; aqueles que esperam em mim não ficarão decepcionados”. (Isaias 49:23c)  Você está disposto a confiar plenamente em Deus?  Experimente, então tudo será mais fácil. Você não estará lutando sozinho, aliás, nem é você  que irá lutar mas o Senhor lutará por você.  Então você também dirá diante de qualquer situação: “Assim como Deus quer Doutor, assim como Deus quer.”
Que Deus te abençoe ricamente!

CULTO CASEIRO


A mamãe amava com todas as forças de seu nobre coração, a Igreja na qual nasceu e foi criada.  Lá ela aprendeu a amar a Jesus, a servi-Lo, a obedecê-Lo, aprendeu a mar a Deus sobre todas as coisas e também amava todos os irmãos que lá congregavam, e ainda hoje ela é lembrada e citada como exemplo de fé e obediência a Palavra de Deus.  No entanto eu não tinha condições e levá-la aos cultos, pois as dificuldades eram imensas. Então resolvi fazer cultos caseiros, lá em casa.
No primeiro deles, deixei a mamãe arrumada e deitada na sua cama com a porta do quarto, aberta, para que ela pudesse ouvir e acompanhar.  Porém eu me enganara, ela não quis ficar no quarto.  Logo que começamos a cantar ela fez questão de ir para a sala e acompanhava os cânticos tentando cantá-los.  Isto muito emocionou aos irmãos presentes e nos deu a todos uma lição de vida e vontade de ouvir a Palavra de Deus.  Assim seguiram-se até quase ao fim de sua vida.  Uma vez por mês tínhamos a alegria de poder realizar o culto caseiro em nossa casa.

SAUDADES DO EXÉRCITO

Como o prezado leitor deve lembrar, já contei anteriormente que o Exército  de Salvação  também está bem firmado em nosso coração.  Para a mamãe não era diferente.  Quando chegamos em Santa Cruz, pouco depois o Reverendo Melquisedeque Brondi e o Diácono Tarcisio vieram nos fazer uma visita e a mamãe os confundiu com os oficiais do Exército de Salvação.  Seu rosto ficou radiante diante de tal visita, para ela, salvacionista.
Tentei mostrar quem eram aqueles amados irmãos que nos visitavam mas nada adiantava, nada a convencia... Ela via neles representantes do nosso querido Exército de Salvação, isto fez com que apaziguasse em seu coração a saudade que sentia do seu tão amado Exército.  Até nisto podemos ver a mão do Senhor cuidando e velando por Sua tão querida serva.  O mundo podería esquecê-la, mas Deus...não...nunca!


SENTIMENTO DE CULPA

Eram raros os momentos de consciência que a mamãe conseguia.  Certa manhã, acordei com ela falando:
─ Meu Deus ! Que triste o meu fim...!
─ O que foi mamãe?  Perguntei admirada por ouvi-la falar normal como antes, porém, no mesmo instante sua mente já dispersou e ela voltou ao seu estado anterior.
Logo ela começou a me puxar com força, quando eu ia cuidar dela, e eu me desvencilhava, até que um dia ela me segurou mais firme me puxou para perto dela e me deu um beijo no rosto.... este foi o seu último beijo para mim....
Um dia a mamãe estava me olhando e num lance de memória ela me disse:
 ─ Que tristeza! Eu que lutei tanto para que tu fosses oficial e agora eu mesma te tirei do trabalho de Deus...
Não mamãe.  A senhora não me tirou.  Agora eu estou cuidando da senhora,...pois também é o trabalho de Deus.  Depois....Deus sabe!   Respondi.
Ela entendeu o que eu disse e aceitou as minhas palavras.


MAIS LANCES DE MEMÓRIA


Nesse tempo a minha prima Mariângela veio morar em nossa casa, com os dois filhos: Marcos com 7 anos e Danielson com 6 anos.  Certo dia eu observei a mamãe olhando para Mariângela enquanto ela se movimentava a certa distancia e disse com muito carinho:
─ Minha sobrinha.....minha sobrinha.....
Um dia o Tio Ittai veio em casa e eu a deixei na sua cadeira de rodas, na varando de onde ela podería observá-lo e mais uma vez eu pude ouvir ela murmurar:
─ Meu mano.....
Esses momentos eram raros, mas sempre que aconteciam me traziam muita alegria para a minha alma.
Sinto muitas vezes não tê-la compreendido e ter agido ao contrario do que ela queria.  Se eu pudesse voltar aqueles dias procuraria compreendê-la melhor e buscaria corrigir os meus erros, mas, infelizmente (ou felizmente), isto não é possível pois o que passou, passou.  O que se fez, feito ficou. 
Do passado nada podemos mudar, mas o futuro poderemos fazê-lo melhor. Aprendemos com os erros do passado para fazermos melhor no futuro.  Por isso devemos trabalhar enquanto é tempo, fazer o melhor com o que nos vem a mão para fazermos e vigiarmos nossas palavras e nossos atos.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

VAMOS EMBORA

A mamãe sentia muita falta da família, dos irmãos na fé, da igreja Presbiteriana Independente de Santa Cruz do Rio Pardo e então ela me implorava:
─ Filha, vamos embora... Estou com muitas saudades do meu povo... Vamos embora!
─ Mãezinha, agora não posso! Respondia para ela. Contudo com o passar do tempo fui entendendo que eu precisava entendê-la. A saúde dela foi piorando e todos os dias sofria espasmos cerebrais que a maltratavam. Eram pequenas convulsões e eu precisava fazer algo mais por ela.
Temia vê-la perecer sem que eu pudesse fazer algo mais a seu favor. Também lá em Santa Cruz eu teria a ajuda de nossa família e não estaria tão só.
Com a decisão tomada, fomos embora como era o seu pedido. Chegamos lá na manhã do dia 7 de dezembro e quando foi dia 11 do mesmo mês, por volta das 5,30 hs da manhã, ela sofreu o segundo grande derrame, como já me referi antes. Estes quatro dias que passaram desde a nossa chegada até ela sofrer o segundo derrame, não fez com que a sua mente gravasse que já estávamos em Santa Cruz. Ela ainda pensava que estávamos fora.
Alguns dias depois, quando já estávamos em nossa casa alugada, ela continuava a insistir, com o seu olhar de ”por favor,” e dizer:
─ Vamos embora! Vamos embora!
Eu entendia o seu pedido, mas não conseguia convencê-la  que já havíamos voltado para nossa cidade. O que fazer para que eu pudesse fazê-la entender? Aí Deus me orientou. Poderia pôr as caixas amplificadoras, do aparelho de som, na parede que ficava na cabeceira da sua cama e deixaria ligado na estação do rádio local que todo momento dava a hora certa e notícias de Santa Cruz: “Aqui em Santa Cruz do Rio Pardo são tantas horas...” ou ainda “Aqui em Santa Cruz do Rio Pardo tal e tal...” assim ela se convenceu que estávamos na sua tão amada cidade e não me pediu mais para ir embora. Deus utilizou algo que estava ao alcance de nossas mãos. Isto me faz pensar duas coisas muito importantes:

- Deus está sempre atento ao clamor daqueles que O amam “Espera no Senhor, sê forte, anima-te e espera no Senhor.”(Salmos 27:14) Esperei com paciência no Senhor; Ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor.”(Salmos 40:1). Esta foi a experiência do salmista e tem sido a nossa, hoje. Sabe por quê? Porque o Senhor é o mesmo. Ele foi o mesmo nos tempos bíblicos, e é o mesmo hoje, e o será para sempre... Deus não muda! Quando nós pensávamos que Ele se esqueceu de nós e de nossa oração, então obtivemos resposta: Diz o profeta: “Pode uma mulher esquecer-se do seu filho que ainda mama de modo que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esqueça, Eu, todavia, não me esquecerei de ti. Vê nas palmas das minhas mãos te gravei; os teus muros estão continuamente na minha presença.” (Isaias 40:15-16).
 E o lindo cântico “Deus cuidara de ti...”

                         1.“Não desanimes!
                             Deus proverá
                             Sob tuas asas
                             Te acolherá
                             Deus velara por ti.

                                                        Côro 
                                             Deus cuidará de ti
                                             Na tua dor
                                             Com todo amor
                                             Jamais te deixará
                                             Deus velará por ti



                  2.  Se no teu peito
                      Vibrar a dor
                      Deus velará por ti
                      Tu já provaste
                      Seu grande amor
                      Deus velará por ti

                3. Nos desalentos,
                    Nas provações,
                    Deus velará por ti.
                    Nas desventuras,
                    Nas tentações
                    Deus velará por ti.

                4. Como estiveres
                    Não temas, vem!
                    Deus velará por ti.
                   Teu Pai bondoso
                   Te espera além,
                   Deus velará por ti.

                                                                                   Autora: Cecília R Siqueira

                                                                                   Fonte Hinário Evangélico

Sim Deus que nos conhece e nos ajuda, Ele utilizou algo que estava ao nosso alcance e mostrou para ela que o seu pedido foi atendido, pois Ele não havia se esquecido de sua serva. “Deus não é injusto; ele não se esquecerá do trabalho de vocês e do amor que demonstraram por ele, pois ajudaram os santos e continuam a ajudá-los.”  (Hebreus 6:10)

- É preciso entender que Deus nos fala através de coisas simples e que estão ao alcance de nossas mãos. Não é necessário que um anjo desça do céu e venha nos dar a mensagem de Deus. O que é necessário é que tenhamos fé e estejamos abertos para ouvir e entender as mensagens de Deus. Às vezes elas nos vêm através de uma palavra falada por alguém que passa por nós, ou por um acontecimento perto de nós, ou pelo gorjear de um pássaro, ou uma folha que cai, e assim por diante.
Isto me faz lembrar uma historinha que eu ouvi há muito tempo:


ROSQUINHAS TENTADORAS

Certa vez, a mamãe de Roberto (nome fictício), fez umas deliciosas rosquinhas e colocou-as para esfriar e disse ao filho:
─ Robertinho, a mamãe vai sair, porém não quero que você pegue nenhuma rosquinha. Elas são para o nosso lanche vou voltar logo. Esta certo? Você promete filho?
─ Sim, mamãe! Respondeu Robertinho.
Logo que a mãe saiu, o garoto olhava para o prato com aquelas deliciosas rosquinhas, que embora estivessem quente, ele sabia que ninguém podia fazer igual a mamãe. Sua vontade fazia juntar água na boca, e lamber os lábios. Logo veio a tentação- uma só! A mamãe não iria sentir falta... Elas pareciam tão saborosas... – veja são macias, cheias de açúcar... Hum! Que delicia – é mesmo, “uminha” só não há de fazer mal. Pensando assim, catou uma deliciosa rosquinha e foi saboreá-la debaixo do abacateiro. Como estava deliciosa! Parecia que aquela rosquinha era a melhor que ele já havia provado... de repente num galho da árvore, um pássaro começou a cantar: “- Bem-te-vi,  bem-te-vi,  bem-te-vi.” – Viu nada! Respondeu o menino, ainda saboreando a sua rosquinha, e o pássaro continuava: “- Bem-te-vi, bem-te-vi, bem-te-vi.” – Viu nada! Você não viu nada...! Respondeu o garoto já meio desconfiado e choroso... “Te-vi, te-vi, te-vi, bem-te-vi.” - Viu nada! Respondeu o Robertinho e chorando, ele disse: “Esta bom eu vou falar com a mamãe.”
Quando a sua mãe chegou ele contou o ocorrido e depois de ouvir uma leve repreensão foi perdoado pela mãe e então puderam, juntos, tomar o delicioso lanche com as rosquinhas apetitosas.
O profeta Daniel nos diz:”Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que esta em trevas e com Ele mora a luz” (Daniel 2:22). “Pois não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir a luz”. (Lucas 8:17). (Palavra de Jesus). “O que encobre as suas transgressões nunca prosperara mas o que as confessa e deixa, alcançara misericórdia.”  (Provérbios 28:13). Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1ª João 1:9).
Pense nisso!


sábado, 28 de janeiro de 2012

CAPITULO XIV LUTANDO PELA VIDA

CAPITULO XIV
LUTANDO PELA VIDA


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        INFELIZ ACERTO

O lugar que eu sabia que poderíamos nos hospedar era na casa da irmã mais nova da mamãe, a tia Ondina. O meu primo, filho adotivo e único da ti, era paraplégico desde os 17 anos de idade por causa de um acidente que sofreu ao nadar no Rio Pardo. Ele era um tanto implicante e isto poderia vir a ser um problema. A tia Ondina também, muito explosiva, não demorava a “estourar”, pois para ela, a minha mãe era “uma tonta”. Pensando em tudo isso busquei logo por uma casa para alugar, que estivesse dentro do que nós poderíamos pagar. Antes, porém veio o que eu temia... Um novo AVC. Eram por volta das 5 horas 30 minutos do dia 11 de dezembro- apenas 4 dias depois de nossa chegada- mamãe começou a falar desordenadamente, o que me fez acordar, e já buscar socorro... Não conseguia medir sua pressão, pois estava muito agitada. Logo veio a tia Ondina ver o que havia e disse:
─ ô Ilaíde, faça a Elza ficar quieta que isso é fingimento...
─Não tia ela esta sofrendo novo derrame...
Respondi já procurando como poderia levá-la ao PS. Eles tinham em sua garagem, uma Variant-branca ano 1970, e sabia que eu poderia dirigi-la, porem não me ofereceram as chaves para que eu pudesse socorrer a mamãe. Assim eu tentava em vão encontrar uma condução para nos levar ao hospital, até que por fim conseguimos um táxi. Chegando lá, a mamãe foi medicada e internada.

   “NÃO POSSO FAZER NADA”

No horário de visita voltei ao hospital para ver a mamãe e a encontrei ainda como eu havia deixado, apenas que estava no seu braço conectado um frasco de soro e eu observei que o mesmo não descia. Então falei com a enfermeira ao que ela me respondeu que não havia conseguido “pegar” a veia e esqueceu-se de tirar a agulha do braço da paciente. E, dizendo isso retirou a agulha, levando embora o soro sem tentar pulsionar nova veia para que se pudesse ministrar o medicamento prescrito. Já eram 13 horas e a mamãe permanecia sem medicação e sem alimentação e amarrada na cama. Quando foi por volta das 16 horas recebemos em casa, um chamado do hospital. Corri para ver o que era. O médico dera alta- hospitalar porque a paciente estava muito agitada e ele não podia fazer nada...! Então eu falei:
─ Doutor, deixe-me ficar ao lado dela. Ela vai se acalmar...
─Não, não pode. Se a senhora quiser tem que pagar quarto particular.
─ Mas doutor, eu não vou atrapalhar. Ela precisa do tratamento. Só quero ajudar... Ela precisa de ajuda e eu não posso pagar... Insisti:
─ Não, só pagando... Se não, não posso fazer nada.
 Então diante das palavras impiedosas do doutor, arrumei a mamãe e voltamos para casa.


A VIDA QUE FUGIA


Tudo ficou mais difícil. A mamãe agora estava completamente confusa. Gritava por socorro e lá vinha a tia Ondina exigir que eu fizesse ela se calar; na hora de ministrar os remédios e de dar comida, ela cerrava os dentes e não abria a boca , por nada. Assim ela foi se enfraquecendo e sentíamos que a vida dela estava fugindo aos poucos. Mais uma vez era hora de confiar só em Deus.
Como fazer para que pudesse alimentá-la? O meu tio Ittai, irmão dela, mais uma vez me ajudou, lembrando que se eu usasse uma seringa seria mais fácil e não iria ferir seu rosto, pois não precisava força-lá abrir a boca.
Uma semana passou e nós sentíamos que ela ia perdendo as forças e a vida... Novamente o tio Ittai me estendeu a sua mão e juntamente com o meu primo Valter, a levamos para Santa casa de Ourinhos.
 

GREVE NA SANTA CASA


Desta vez a tia Ondina me emprestou o carro para que pudéssemos levar a mamãe para a Santa Casa de Ourinhos não víamos outra saída. Também estava agendada uma consulta com o neurologista da Unicamp, em Campinas e como poderíamos levá-la naquele estado? Ela poderia não agüentar a viagem. Então precisávamos resolver a situação e principalmente a saúde da mamãe era muito preciosa e precisava de socorro urgente.
Quando chegamos lá, para nossa surpresa e ansiedade, encontramos a Santa Casa em greve. Porém não podíamos retornar com a mamãe como estava. Ela já não reagia, estava entrando numa faze de torpor, sem conseguir receber os remédios necessários e nem alimentação. Havia outro problema e barreira a vencer. Eles não atendiam se fosse de outra cidade. O que fazer? O tio Ittai foi lá conversar com a jovem que atendia no balcão. A mamãe, então, foi levada para dentro e ficou aguardando atendimento no corredor; sobre a estreita maca. Em minha aflição eu não suportei esperar muito e resolvi falar com a jovem que atendeu ao tio Ittai. Quando falei que éramos de Santa Cruz e o que havia acontecido, de imediato veio a negação. Não podíamos ser atendidos naquele hospital...! Para trás com a minha querida mãezinha naquele estado, eu não iria voltar, diante de minha insistência ela resolveu falar com o médico de plantão. Eu fui atrás, quando ela começou falar que não éramos de Ourinhos, eu interrompi e implorei ao médico o seu socorro. Expliquei o porquê de estarmos ali e falei:
─ Por favor, doutor; Salve o meu tesouro! Ela é tudo que eu tenho na vida.
Ele prontamente atendeu e socorreu. Após ser fortalecida com 2 litros de soro e outros medicamentos, voltamos para Santa Cruz na esperança de uma melhora.


NOVO DIAGNÓSTICO ESTARRECEDOR


Poucos dias depois, fomos a Unicamp e foi diagnosticado Demência por Enfartos Cerebrais múltiplos.
Levei comigo o exame de tomografia Computadorizada que havíamos feito no ano de 1991 em Taubaté-SP. Diante de tal exame o médico e sua equipe descobriram que o derrame que tínhamos conhecimento não havia sido o primeiro. Antes dele houvera outro e nós não sabíamos, seria aquele mal estar que descrevi que aconteceu em São Vicente, quase vésperas de eu ir para Portugal em 1987? Eu penso que sim.  

CARETAS PERDIDAS

Praticamente uma semana depois de tudo isso, a mamãe novamente precisou de socorro médico. Mais uma vez o nosso vizinho auxiliar-de-enfermagem tentou nos ajudar nos acompanhando até o pronto socorro. O médico de plantão mal se levantou da cadeira, contudo resolveu internar a mamãe para tratamento. A enfermeira de plantão estava fazendo um tremendo esforço para que ele não deixasse a mamãe internada e olhava para mim com expressão rude que dava a entender caretas. A razão que era a mesma jovem que atendeu quando fomos a primeira vez, a qual me referi em sub - tema “ Não posso fazer nada”. Ela se lembrou como a mamãe estava agitada na ocasião, por isso estava muito contrariada com o médico que resolveu internar a mamãe. Antes, contudo ele achava que eu podia cuidar dela em casa com ministração de soro endovenoso e demais medicações, mas como eu poderia fazer isso? Eu não sabia como pulsionar uma veia, como poderia cuidar de um soro endovenoso? O nosso vizinho achava que seria possível, pois ele acreditava poder ajudar, contudo, eu não me fiei em tal promessa e digo que não me enganei. Havia aqui ainda o problema financeiro, eu não tinha condições de pagar ao hospital, novamente veio o alerta: você pode pagar? Assim mesmo ela ficou internada, procurei saber quem seria o médico que cuidaria do meu tesourinho no hospital. Não era costume e creio que nem era permitido, dar o nome do clinico que estaria responsável pelo tratamento de minha mãe, naqueles dias, contudo foi-me dito ser o Doutor Zacura. A tia Ondina ficou animada ao saber qual seria o médico que estaria tratando a mamãe, pois que sua mãe fora vizinha de meus avos e isto me animou a telefonar para ele. Procurei na lista telefônica e com toda coragem telefonei. Expliquei-lhe o que estava acontecendo e embora não o conhecesse, fui muito bem tratada por ele. Quando a mamãe recebeu alta hospitalar, voltou bem melhor; mais calma aceitando a alimentação e os remédios que lhe dávamos.
A enfermeira que fizera as suas caretas, pensava que nos assustava, porém foram inválidas porque nos estávamos nas mãos do Senhor Jesus. Quem cuidava de nós, era o Senhor. Aqueles dias, no inicio de nossa volta a Santa Cruz foram bastante difíceis, mas o Senhor pelejou por nós. “Pelejaram contra ti, mas não prevalecerão, pois eu sou contigo diz o Senhor, para te livrar.” (Jeremias 1:19).” Pois a peleja não é vossa, mas de Deus.”(2 Crônicas 20:15b)
Que Deus maravilhoso que nós temos!
A Ele seja dada toda honra, toda glória e todo louvor para todo sempre!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

TENTATIVA FRUSTRADA         


Os meses passaram e estivemos tentando novos rumos em nossa vida. Tentamos deixar a mamãe do Lar de Outono em Campos do Jordão para ver se ela acostumava. Ela estava concordando com tudo, porém em poucos dias ela precisou ser hospitalizada e a sua saúde e recuperação volta para mais ou menos dois anos. Sua saúde corria perigo, e o médico então deu um atestado que ela não poderia ficar longe da filha.

  LOUCA?

Nesse tempo, também ela começou a chamar por mim durante a noite, não deixava ninguém dormir, pois chamava-me a noite toda. As suas companheiras de quarto não entendendo a causa, disseram que ela estava fora de si.  
Por aqueles dias teríamos um acampamento Feminino em Suzano-SP, no “Vale de Bênçãos”. Combinamos, e a diretora daquele Lar, trouxe a mamãe ao meu encontro.
Na primeira noite, quase não conseguimos dormir, a mamãe e eu. Logo que o sono começava a chegar repentinamente a mamãe começou a falar.
─ Meu Deus, ai meu Deus; Tide, Tide me ajude,...
Quando olhei ela estava demonstrando muito dor no joelho direito. Era só começar a dormir, seu joelho dava ferroadas que fazia ela quase chorar de dor e por isso que me chamava a noite toda. Tentei ajudá-la fazendo massagem e orando pois eu não tinha nem uma pomada, eu garrafa com álcool para massagear sua perna e joelho. No dia seguinte consegui a pomada, necessária e então, com a ajuda de Deus, ela sentiu-se melhor. Quando retornamos a Atibaia, levei-a para fazer exames e foi diagnosticada “bursite” (infecção na junta) no joelho o que só seria possível tratar com infiltrações. (infecções no joelho). Só assim ela pôde se livrar da dor que a maltratava.


     “QUEM TE VIU QUEM TE VÊ”

Fiquei tão triste ao ver o estado que ela ficou, por causa de sua saúde: Arcada para frente, sem equilíbrio ou precisando andar em cadeira-de-rodas. Eu nunca me conformava ou aceitava que o meu tesouro se entregasse para doença. Observando isto eu falei:
─ Mamãe, o que é isso?! Vamos, vamos; levante o corpo! Reage mãezinha. Vamos...
Então ela endireitou e começou a sua nova recuperação. Em uns dois dias já voltou a andar sobre o seu bordão. Quando entramos no salão, ao encontro com as demais acompanhantes, a Diretora do Lar a viu entrar andando e tentando brincar com a sua bengala, exclamou:
─ Eh! Dona Elza “Quem te viu e quem te vê”...
Só vendo pra crer!!!
Graças a Deus que Ele nos socorreu e ajudou nesta grande melhora.

NOVOS RUMOS

No mês de julho-1993, fui trabalhar em Campinas como auxiliar e responsável pela creche no Jardim Campineiro. Morando no mesmo local, a mamãe começou a ter espasmos como pequenas convulsões quase que diariamente. Para mim, poder conciliar os dois ali  não foi fácil e também enfrentamos diversas dificuldades. No final do ano eu me sentia quebrada e triste por ver que a mamãe piorava de saúde e eu nada podia fazer. O local em que morávamos, não ficava perto de nenhum socorro. Eu estava sentindo que ela caminhava para um novo derrame e o que eu iria poder fazer? O medo de que ela viesse a perecer sem que eu conseguisse buscar socorro começou a invadir minha alma. Aflição, tristeza, porém eu sabia que Deus  não havia nos abandonado e Nele eu depositei mais uma vez a minha confiança e esperança. Solicitei ao meu chefe licença por tempo indeterminado e fomos para Santa Cruz do Rio Pardo-SP. Chegamos lá na manhã do dia 7 de dezembro.


    A PROVIDÊNCIA DIVINA

Eu sentia preocupação sobre como iríamos chegar em casa, levando bagagem e carregando a mamãe...contudo o Senhor já Havia providenciado a condução. Quando olhei ao lado da plataforma, havia uma camionete vermelha estacionada e então me ocorreu à idéia de pedir a ajuda ao proprietário, o que prontamente me ajudou, e me falou:
─ Hoje, já é o terceiro dia que eu venho aqui para buscar uma peça para o meu carro e só hoje ele chegou.
Pensei comigo: “Obrigada meu Senhor, porque o Senhor providenciou este carro que veio nos esperar...” aí eu senti mais uma vez que Deus estava comigo naquela decisão.


VERDADE QUE DOEU

Em conseqüência dessa convulsão intensificamos os exames e o tratamento, então o medico que tratava dela solicitou um novo exame: Tomografia computadorizada. Conseguimos fazê-la em Taubaté-SP. A minha esperança era que ela se recuperasse totalmente e pudéssemos voltar a nossa vida normal. Até então, eu não havia compreendido a extensão do mal que havia acometido a minha mãe. Também sabia, que para o Senhor não haveria impossíveis, bastava Ele querer e tudo seria feito. Nossa vida estava em Suas mãos. A mamãe e eu éramos Suas servas e Ele sabia o que fazer. Só precisávamos confiar. Contudo é bom lembrar que os desígnios de Deus, não são os nossos, os pensamentos de Deus não são os nossos: “Pois os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.”(Isaías 55:8) “Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do SENHOR.” (Provérbios 19:21) . E sabemos que o Senhor não nos abandona, em todos os momentos Ele está conosco, a altura de nossa mão e mais ainda a altura de nosso coração, pronto a nos ouvir.
Alguns dias depois, conforme a data fixada para ir buscar o resultado, fui até aquela cidade. Minha esperança era que o médico me dissesse a noticia que em breve o meu tesourinho sararia completamente e iria poder voltar a vida normal que sempre tivera antes. Minha esperança ficou naquele consultório médico... eu não teria mais aquela alegria... meu Deus, meu Deus...
─ Doutor, mas não há esperança? Não há retorno?
─ Não, não há. Veja aqui...
Nisto ele me mostrou todas as áreas afetadas pelo AVC e estava tudo negro, sem vida, enquanto que as outras áreas estavam claras e bem definidas e continuou:
─ Estás vendo? Toda essa área foi afetada e o cérebro não se reconstitui. Ela não voltará mais.
Ao escrever este diagnóstico dito pelo médico, as lágrimas ainda afloram em meus olhos depois de tanto tempo. Eu precisava me conformar e acostumar a esta triste realidade. ─ Acidente Fascular Cerebral Isquêmico! Saí daquele consultório com a alma aos prantos e as lagrimas a correr pelo rosto... meu tesouro não seria mais a mesma porém o meu Senhor era o mesmo.”ontem, hoje e para sempre”. Conforme o diagnóstico médico, ela teria perdido uma área correspondente mais ou menos 20% do seu cérebro e isto afetara muitas funções. Agora, mais do que nunca, eu deveria confiar nos cuidados do Senhor e Ele jamais nos deixou sozinhas em momento algum.
Hoje em dia referem-se a cura de câncer, controle da AIDS, cura da Hanseníase, o homem já foi a lua e continua buscando novas aventuras no espaço... já estão brincando de Deus querendo fazer seres viventes chamados de “clone” e tantas outras descobertas tão importantes na criação e com tudo ainda não encontraram a cura para um simples AVC! É bom notar que há medicamentos que ajudam na circulação, porém, os melhores não estão ao alcance do pobre, ou dos menos favorecidos, então ainda temos que viver tão triste realidade.

     NOVOS ARES

Algum tempo depois eu tive nova nomeação e fui transferida para trabalhar no “Lar Recanto da Serenidade” na cidade de Atibaia-SP. Também um “Lar” para pessoas idosas.
Atibaia é uma cidade turística, com um clima privilegiado sendo considerado segundo melhor clima. .Há muito verde, pássaros de diversas qualidades, muito água potável, enfim, só visitando para saber. Muitas pessoas buscam morar em Atibaia quando recebem a sua aposentadoria.
Aqui, Deus mais uma vez, derramou sobre nós as Suas tão preciosas bênçãos. Eu vim trabalhar com um casal, cuja senhora eu tinha conhecido e nos tornamos amigas quando eu era seminarista e faziam uns 15 a 16 anos que não nos víamos. Agora casada, com 3 filhas lindas, juntamente com seu esposo eram os Administradores deste “Lar”.


     DIRIGINDO PARA MELHORAR
  
Não demorou muito para que o Capitão Peter Lewis me auxiliasse a pagar prática no volante. Assim eu dirigia a variante vermelha do Lar por toda parte de Atibaia, sempre contando com uma companhia que, abaixo do meu mestre e Senhor Jesus, inspirava-me para melhor trabalhar e sentia-se muito feliz por estar comigo: a mamãe. Toda parte que eu ia sempre a levava ao meu lado. Quero frisar aqui que outras idosas que quisessem nos acompanhar era permitido, então não raras as vezes que eu tinha em minha companhia duas ou três idosas. Consegui na época que muitas doações chegassem ao Lar e Deus nos ajudou muito.


     PRONTA PARA ENTRAR NA UTI


                   Certo dia a mamãe começou a falar meio devagar demais, e com muita dificuldade, já fiquei em alerta. Tomei o seu pulso e assustada constatei que estava com 44 b/m, não demorou para que chegasse a 40 b/m. “ O que será que esta acontecendo, Senhor?” perguntava para Deus. Corremos com ela para o Pronto Socorro da Santa Casa local e lá, o médico de plantão, após constatar a gravidade do estado de saúde e após ter realizado um ECG (Eletrocardiograma), nos orientou que a levássemos o mais depressa possível para um  hospital em que houvesse UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), pois ela precisava ser internada nessa unidade ainda aquela noite. Como não houvesse UTI para quem não tinha condições financeiras, em Atibaia, deveríamos então levá-la, bem depressa para Bragança Paulista- SP cidade próxima (18 km), onde havia faculdade de medicina e a mamãe então receberia, sem problemas, o tratamento que necessitava.

SOCORRO PRESENTE

Antes de pegarmos a estrada, voltamos ao Lar para pegar alguns agasalhos e antes de sair, oramos ao nosso Deus. A mamãe sempre usufruiu de todas as viagens que fazíamos, mantendo-se atenta para tudo que passava. Gostava de ler as placas da beira da estrada e com isto ela se distraia e sabia sempre onde estava. Desta vez não foi diferente.
Sentava ao lado do Capitão, na frente, ela ia lendo as placas de sinalização pela estrada e de vez em quando fazia pequenos comentários e eu pude notar que a medida que corríamos em direção a Bragança, ela melhorava; sua voz já não estava mais tão pesada e presa e estava mais animada.
Chegando lá, após exames e novo ECG, constatou que ela havia melhorado e sua pulsação estava agora com 72 b/m. segundo as orientações do médico voltamos felizes para casa, para o Lar em Atibaia, trazendo conosco minha querida mãezinha, já bem melhor mesmo sem tomar alguma medicação nos hospitais em que foi atendida naquele dia. Louvado seja o nosso Senhor Jesus que sempre nos ouve e o nosso socorro bem presente na angústia “O nosso socorro está no nome do Senhor, criador dos céus e da terra.” (salmo 124:8) “Deus é nosso refugio e fortaleza socorro bem presente na angústia.” (Salmo 46:1). Aqui vale a pena dizer que muitas pessoas buscam refugio em coisas falsas, como crer que uma ferradura atrás de uma porte irá lhe trazer boa sorte ou espantar o mal que poderá rondar, ou que uma figa no pescoço vai lhe trazer defesa de maus olhados, ou que um pé- de – coelho poderá lhe trazer sorte; crêem que duendes vão lhe abençoar, os tais patuás com orações tolas dependurados com uns nojentos cordões no pescoço irá lhes trazer bênçãos e proteção, e assim por diante.
Amigos parem um pouco e pensem só por uns minutinhos: que poder tem tais coisas? Quem os fez? Quem inventou isso tudo? Ou será que não foram inventados... alguém desceu do céu e entregou-os para você... Ainda assim, que poder espiritual tem eles? Eu não quero para mim tal proteção tão falha. Se você por no fogo, todos se consomem, o fogo os destrói, então que poder teem todos eles? Eu quero para mim, para meu socorro e proteção, o Senhor que criou os céus, a terra e tudo que nela há. Ele sim é a verdadeira proteção e socorro, Ele é o Senhor Onipotente, Onisciente, Onipresente. Ele é Deus! “ cuidai para que o vosso coração não se engane e, desviando –vos, sirvais a outros deuses e vos prostreis diante deles.”( deuteronômio 11:16).
Essas crendices não vêm de Deus e é abominação ao Senhor que O faz entristecer. Sabe por quê? Porque Deus te ama! “não haja no meio de ti quem faça passar pelo fogo o filho ou a filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos.O Senhor abomina todo aquele que faz estas coisas. Serás perfeito diante do Senhor teu Deus.”(Deuteronômio 18:10-13).
Bom, se alguém deseja continuar crendo em objetos mortos, sem valor, então o Senhor não irá impedir só que na hora da provação não estranhe se não obtiver a resposta de Deus...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

CAPÍTULO XIII SEGUINDO AS FILEIRAS

CAPÍTULO  XIII  
SEGUINDO AS FILEIRAS

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EM CAMPOS DO JORDÂO

Em fevereiro de 1990 seguimos para o “Lar do Outono” na cidade de Campos do Jordão. O Exercito de Salvação mantem um lar para idosos naquela linda cidade. Gostaria de lembrar ao estimado leitor que não usamos a denominação “asilo”, mas chamamos de “lar” porque estendemos aos idosos, sob os nossos cuidados, que se sintam como se estivessem vivendo num lar e aonde eles são muito preciosos.
Fomos bem recebidas no “Lar do outono” e tudo que eu podia, fazia para ajudar e cuidava da mamãe. As dificuldades eram grandes para poder conciliar os dois, com tudo eu estava feliz por poder ter a mamãe comigo, e poder cuidar dela.
Em Campos do Jordão – SP  1991
 
Diante dos fatos e dificuldades muitas pessoas amigas não conseguiam entender porque eu não deixava a mamãe em um “asilo” e assim eu poderia seguir sem maiores dificuldades o meu ministério. Eu havia prometido para ela que eu não faria isso, que nunca havia de deixá-la num asilo e ela sabia que a minha palavra que eu havia empenhado, eu havia de cumprir.


DE PONTA CABEÇA

Como havia dito acima, eu procurava conciliar os dois trabalhos, apesar  que para mim não era trabalho cuidar da minha mãe, era além de um dever cristão e de filha, era prezeiroso poder cuidar do meu tesouro, porem muitas coisas aconteciam apesar de todo cuidado.
Certo dia eu sai para fazer algum trabalho fora do Lar e deixei a mamãe em nosso quarto, deitada. Quando retornei encontrei a diretora colocando gelo na testa da mamãe e muito preocupada. Ao indagar o que havia acontecido, ela me disse:
─ A sua mãe caiu de ponta cabeça, batendo a testa no chão...
Como isso aconteceu? Bem todas as idosas gostavam muito dela e vinham cumprimenta – lá ou conversar com ela quando eu a deixava no quarto em vez de levá-la para sala. Naquele dia quando eu saí, a Carolina, uma das senhoras idosas veio trocar umas palavrinhas com a mamãe. Eu havia trazido um gato muito bonito de Portugal, o qual era estimado por ela, e ele subiu na cama dela, não sei se ela quis pegá-lo ou se desejava tirá-lo da cama, aí perdeu o equilíbrio e foi ao chão batendo o lado direito da testa no chão que era de cerâmica vermelha. Levantou um enorme calombo, o famoso “galo”. Fizemos exames e radiografias e com a graça de Deus, nada, além disso, aconteceu. Só tivemos que conviver por uns tempos com o seu olho e testa roxos, mas graças a Deus que a protegeu.

“MAMÃE, NÃO MORRA”!

 Campos do Jordão- SP é uma cidade muito gostosa de se viver. O clima é delicioso, é frio bastante, porém é muito sadio. Nós gostávamos muito de lá e a saúde da mamãe estava sempre bem, ela se adaptou muito com o clima. Porém o derrame é algo muito triste e como um inimigo invisível, ele vai minando, a saúde física e mental de suas vítimas. As áreas atingidas do cérebro morrem e trazem consigo conseqüências aterradoras. A mamãe sempre foi tudo para mim. Ela foi meu pai, minha mãe, ela foi meu atalaia espiritual, foi através de seus ensinamentos que eu conheci a Jesus como meu Salvador e Senhor. Parecia-me impossível viver sem tê-la ao meu lado, sem poder ouvir os seus conselhos, as suas orientações, ela era o meu esteio de vida, o centro da minha vida, só estava abaixo do Senhor Deus que é o supremo em todo o meu viver. “Se não fosse o Senhor que esteve ao nosso lado, ora diga Israel, se não fora o Senhor, que estava ao nosso lado..., as águas teriam transbordado sobre nós e a corrente teria passado sobre a nossa alma; águas impetuosas teriam passado sobre a nossa alma.” O nosso socorro esta no nome do Senhor, criador do céu e da terra.” (Salmo 124: 1,2ª,4,5,8)
 A mamãe mesmo doente era bastante alegre, e sempre nós conversávamos, trocávamos idéias, e eu ouvia os seus preciosos conselhos. Certa noite, estávamos conversando, quando repentinamente ela começou a tremer, e me falou:
─ Filha, veja que coisa esquisita... Minha mão esta tremendo...
Logo este tremor passou para os seus pés, e já para o rosto e a se contorcer. Era uma violenta convulsão... Eu nunca havia presenciado tal situação, parecia-me que ela estava morrendo. Então implorei, tentando ajuda-la como podia; e em lágrimas e aflição:
─Não morra mamãe; por favor, não morra...
Meu Deus! Eu estaria perdendo o meu tesouro? Pedi ajuda das senhoras internas que de imediato me socorreram. Enquanto elas ficaram ao lado dela corri para Santa Casa que ficava ao lado do Lar, e dois enfermeiros vieram buscá–la com a maca. Sua PA estava muito alta (24x14), mas graças a Deus que foi salva a tempo e não se concretizou um novo AVC.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

UM TRIBUTO DE GRATIDÃO


Vou fazer uma pequena pausa para contar a razão de tanta alegria ao ver estes dois oficiais.
O major Hofer fôra nosso Pastor em Ponta Grossa quando eu era pré-adolescente e a mamãe quando era oficial teve o privilégio de trabalhar com os pais do major que também eram oficiais e em um dia em visita a nossa Igreja em Ponta Grossa. PR o Brigadeiro Hofer (o pai) muito feliz de encontrar a minha mãe disse-me:
─ Você deve escrever um livro sobre a história de sua mãe. Não esqueça, faça isso, ela merece!
Verdade, ela merecia, minha querida mãezinha merecia sempre ser lembrada e sua vida foi um exemplo. Também o major Hofer foi o chefe do comando que me chamou para Portugal. Agora ele estava trabalhando nova mente, no Brasil.
A Tenente Coronel Wakai - eu a conhecia quando eu estava com 15 anos por ocasião de um congresso de jovens que estudam a Bíblia, chamados do Exercito de Salvação de cadetes locais. Ela era auxiliar do seminário, do Exercito de Salvação em São Paulo, nessa época.
Alguns anos mais tarde quando eu já era oficial, fui trabalhar com ela, a então capitã Wakai e eu a tenente Fleury.
Nessa época, a mamãe precisava de novo par de óculos, pois já não enxergava mais nada com os seus. O oftalmologista que ela consultou deu-lhe uma notícia um tanto preocupante. Precisava ser operada por causa da catarata que já havia tomado conta de seus olhos. Aqueles lindos olhos castanhos claros e que às vezes tornavam-se esverdeados, precisavam de um cuidado especial. Como realizar tal cirurgia?
Então descobri que em Niterói – RJ, local em que eu estava trabalhando, havia uma excelente clínica especializada, a Clínica Santa Beatriz. A mamãe, contudo, precisava de um tratamento de saúde, seu coração necessitava de cuidados.
Bem próximo a nossa casa havia um posto de saúde, o que poderia facilitar o tratamento para a mamãe. Com a permissão da minha oficial dirigente a Capitã Wakai, trouxe a mamãe para ficar conosco enquanto se tratava.
Logo no inicio, eu recebi nova nomeação. Deveria me transferir para o seminário do Exército de Salvação em São Paulo.

 DEUS ESCUTA


E agora, que fazer? A mamãe precisava do tratamento e estava apenas no inicio... Deveria interromper tudo? Naquela noite na minha oração falei com o Senhor:
─ Senhor, e agora o que vou fazer?
No dia seguinte, logo cedo fui surpreendida pele capitã, quando ela me disse:
─ Tenente, você não precisa pensar o que vai fazer agora; pode ir tranqüila, que eu cuido da sua mãe.
Deus me respondeu fazendo com que a Capitã Wakai me dissesse as mesmas palavras que orei sussurrando em meu quarto a sós com Deus. “Os justos clamam, e o Senhor os ouve; livra-os de todas as suas angústias” (Salmo 34:17). “certamente a mão do Senhor não esta encolhida, para que nos possa salvar, nem surdo o Seu ouvido para que não possa ouvir”. (Isaias 59:1).
Eu pergunto para você amigo, você crê que Deus te pode ouvir? “Aquele que fez o ouvido não ouvirá? E o que formou o olho, não verá?” (Salmo 94:9). Mas você sabia que há empecilhos para que Deus não escute? Veja o que diz Jó. “ certo é que Deus não houve a gritos vazios nem atenta para eles o Todo Poderoso”. (Jó 35:13).” Mas as vossas iniqüidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós para que não vos ouça” (Isaias 59:2). Observe amigo que o pecado fará com que Deus não responda a nossa oração. Então é o momento  de observar e fazer uma auto- análise, auto- crítica e vencer o pecado que esta fazendo a barreira entre você e Deus.
Diz o compositor sacro:

                      “Deixa a luz do céu entrar
                        Deixa o Sol em ti nascer
                        Abre o coração e deixa Cristo entrar
                        E o Sol em ti nascer.”
           Autora: Ada Blenrhon                 Tradutor: Antonio Querino Lomba


        TRATAMENTO CUIDADOSO

Assim, sendo, eu me mudei para São Paulo e a Capitã Wakai cumpriu o que me prometeu. A mamãe fez o tratamento do seu coração, fez a cirurgia de um olho e depois de uns dois meses fez a segunda cirurgia, digo, a cirurgia do outro olho, levando mais ou menos uns seis meses em que ficou na casa da Capitã e ela cuidou do meu tesouro com muito carinho e desvê-lo. Havia uma ordem do médico para que a cirurgia tivesse sucesso: A paciente não podia fazer movimentos com a cabeça por um determinado tempo. Hoje em dia sabemos que tais cirurgias são muito simples e seguras, não resolvem, mas o risco de vida para o paciente  e nem há necessidade de internação, são feitas a lazer em poucos minutos, porém no ano de 1978, havia a necessidade de anestesia e repouso absoluto.
A mamãe me contava que a Capitã alem de fazer tudo por ela a tratava com carinho, não permitindo que ela fizesse qualquer coisa que fosse em casa, e ainda permitia que a sua nova auxiliar , a Tenente Ester dos Santos a acompanhasse ao médico quando precisava retornar.
Fiquei muito grata a Deus por tudo que a minha querida Capitã Wakai fizera para minha mãe. Ela cuidou tão bem que a mamãe voltou a enxergar e a cirurgia foi um sucesso. Hoje em dia, a Tenente Coronel Ruth Wakai, esta aposentada  e rogo a Deus pela sua vida e saúde.
Ate o fim de seus dias todos o médicos oftalmológicos que a examinavam, admiravam-se da perfeição da cirurgia que fizera.